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a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos, experiências, viagens e coisas minhas.

a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos, experiências, viagens e coisas minhas.

Novembro 05, 2022

m.

Bom dia

Hoje acordei bem disposta,  dois minutos antes do despertador, e com energia, sempre ligo ao meu pai, a dar os bons dias, moramos longe e assim as saudades e a ausência tornam.-se mais leves, e entre perguntar o que andava a fazer, como está o tempo (um sol maravilhoso, inveja saudável, porque aqui temos "neboeiro", como não?), e entre conversas de pai/filha acabamos a falar de ceroulas, essas calças que o meu avó usava no Inverno, em oposição aos nossos colans de lã, e que o meu pai religiosamente usa no Outono/Inverno e quando basicamente tem frio. 

 

"Neboeiro" - Palavra para nevoeiro, escuto por aqui e acho que não devemos perder estes regionalismos, que nos identificam e caracterizam. 

Setembro 08, 2020

m.

Este é o mês da viragem, quase que acabou o Verão, e estamos prestes a entrar no Outono, o mês de recomeços, mas é também o mês da festa da nossa aldeia, e a tristeza que sinto por este ano, não haver nada, só um sentimento de domingo vazio, sem a família, sem a comida a montes, que dura para lá de uma semana (os restos da festa), os familiares e amigos que nos visitam sempre e só nesta altura do ano,  os amigos, conhecidos, que sempre  aproveitamos estes dias para colocar a conversa em dia, ir ao bailarico, dançar ao som de músicas que só ouves nesta altura do ano, e adoras,  apreciar os bons petiscos,  relembrar as emoções quando vem a Banda, a alvorada de noite com os sinos a repenicar e a chuva de foguetes que nos levam a todos às ruas a celebrar, aquele arrepio de emoção e orgulho de ver e acompanhar a procissão, palmilhar as ruas da aldeia ao compasso e depois entregar a bandeira aos festeiros do ano seguinte, oh tempos tristes e estranhos que nos privam das coisas boas da vida. 

 

Agosto 02, 2020

m.

Para mim o dia 1 de Agosto,  é um dia, com um misto de emoções contraditórias. Há  anos atrás perdi o meu avô materno neste dia. Mas também foi o dia que recebemos a notícia que a família tinha aumentado. 

Por isso sempre que lhe dou os parabéns, e às vezes a comer aquela fatia de bolo,  dou por mim a pensar com muito carinho e saudade  no meu avô, que foi só o melhor avô que eu tive. Lembro-me das idas à casa dele, noutra aldeia, íamos de autocarro e ele dava-nos sempre um lanche daqueles que terminavam com um gelado à espera do autocarro ou camineta da carreira, como se dizia naquele tempo, embora eu adorasse o gelado epá, tinha de comer sempre o perna de pau, ou o super maxi, que lá em casa não se mastigavam pastilhas (passo a publicidade a esta marca de gelados). 

As visitas dele, sem a respectiva esposa (naquela altura eu não percebia porque é que a senhora não ia lá a casa, hoje já percebo), eram sempre aguardadas com uma alta expectativa (aqueles rebuçados ou chupas ou as bengalas), era sempre uma animação quando ele aparecia, no quintal, a chamar pela minha mãe e depois a fazer-me aqueles carinhos que só os avós sabem....e ele era tão querido naquele chapéuzinho e com a sua bengala e o seu bigode, era a única pessoa da família que o usava, agora um ou outro tio, também, mas na minha infância o dele era único.

Quando adoeceu, foi uma verdadeira tragédia, que demorou, na altura só me deixaram vê-lo enquanto esteve consciente, depois a demência tomou conta dele, e eu fugia com o meu irmão para o vermos ao longe e sem a minha mãe ver, e curiosamente ele sempre nos reconheceu e sempre tinha uma palavra para connosco. 

Quando morreu, a 1 de Agosto, e recebemos o telefonema, ele estava no hospital e apesar de ter e ser uma criança, lembro-me dos choros dos filhos e irmãos , e de nós os netos andarmos a passear pelo cemitério e a ver as campas, e as flores, fazia um calor horrível, e do funeral só me lembro disso, do bem que nós as crianças passamos quando os adultos estavam a fazer a sua despedida. 

Maio 03, 2020

m.

Desde há 7 anos, passou a ser o dia mais triste do ano.

Foi a última vez que a vi com vida, e ainda recordo aquele aceno, porque sei que sabias que era o último.  

Já tínhamos falado, e sabíamos que era uma questão de tempo, e,  tu já estavas cansada de lutar contra o inevitável, e nós de te vermos sofrer, porque sempre foste a mais forte e corajosa a mais alegre e quando soubestes da gravidade e juntas decidimos não dizer a ninguém, nem aos rapazes, eles são são assim tão corajosos (brincadeira, claro que são fortes, já foram à guerra), são, mas iam ficar tristes e assim ainda tiveram 5 meses de aparente normalidade, não foi fácil respeitar o segredo, mas era mais do que necessário. 

Quando partistes naquela quinta à tarde, (okay os outros acham que foi sábado), mas na quinta vieste dizer-me adeus, e eu quando passo naquele ponto da auto estrada, sei que foi ali, naquele quilómetro naquele entardecer que partiste. E eu despedi-me de ti, porque sei que tu não querias ir, mas a tua dor era tão grande, que não queria ser egoísta e foi um alivio ver terminar o sofrimento de 5 meses, e deixei-te ir e paz. 

A tristeza não passa nem passado 7 anos, mas é uma dor de saudade e "quente" sinto-a como uma carícia e um carinho, e sempre vou recordar-te seja em que dia for, porque para mim o Dia da Mãe, são todos os dias...

Julho 26, 2019

m.

Oh foi tão bom, conhecer avós, só que também foi triste, porque eram cinco e só conheci infelizmente três (um era meu tio-avô, mas nunca fizemos essa distinção, era avô e mais nada). Mas esses três eram bem castiços, principalmente o meu avô C., era um velhote adorável de chapéu, e bengalinha, e nunca deixava esta netinha sem carinho, e rebuçados, sim a despesa com o dentista começou logo ali, na infância, eram tardes bem passadas ele a conversar com  a minha mãe e eu a brincar na terra batida, com as bonecas, os trapitos, e mais coisas que agora não me lembro, porque a idade chega a todos, só me deixaram brincar, não cuidar do meu irmão quando o meu avô adoeceu, e precisou de cuidados especiais, e ai as brincadeiras foram mudar fraldas, dar carinhos ao mamo mais novo, o avô estava cada dia pior, e depois morreu. Mas ele morreu e lembro-me de ir ao enterro com os meus primos, e de andarmos a passear no cemitério, enquanto os nossos pais, choravam a morte do avô, éramos tão inconscientes, e o melhor foi que os pais nem ralharam. Quando chegamos a casa, as notícias eram boas, havia um novo elemento na família. Não esquecemos o avô, mas cada vez que damos os parabéns à A., pensamos hoje faz anos que morreu o avô.

Já da minha avó V. , a conversa é bem diferente, éramos maiores, mais férias em conjunto, mais memórias daquelas praias onde tínhamos  liberdade, mas também mais responsabilidade, porque ela era justa e castigava e premiava com regra e sabedoria. Também nos enchia de risos quando se comportava quasecomo nós, alinhava e gostava das brincadeiras, mas depois crescemos e ela ficou sem paciência para adolescentes com feitios mais do que mpossíveis, eram maus e mesmo uns putos traquinas. Quando morreu, foi triste, nem estava á espera, mas é como dizem, a vida, estava velhinha e cansada. E no velório, fomos buscar todas as recordações de infância e fizemos a justa homenagem.

Do meu avô I., tenho recordações alegres, era um senhor simpático, afável e nunca se zangava, era uma paz de senhor, pequenino, de boné, era e estava sempre alegre para nós. E foi a primeira pessoa morta que vi, telefnaram para a escola (naquela altura viviamos a quilómetros luz dos telemóveis), e lá viemos nós no autocarro muito mais cedo, aulas a que faltamos, justificadas e quando cheguei a casa da minha avó, entrei no quarto e estava a minha mãe a vestir o casaco ao meu avô, não me assustei, mas ainda tenho aquela imagem felizmente que a minha avó depois mudou a distribuição do quarto. 

Dos outros avós só sei o que me contaram, sensações, e  sonhos com as pessoas das  fotos, porque deles não tenho memórias. E sinto essa falta, mas morreram antes de eu ser sequer projecto de gente, etambém deixaram os filhos tristes e sós. 

 

 

 

Maio 12, 2019

m.

E eu não festejei, porque 11 de Maio é também para mim uma data triste e saudosa. 

Fez 6 anos que perdi a minha melhor amiga, a minha mãe, e isso traz recordações e sentimentos que não nos permitem festejar mais nada. 

Mas recordar é viver e fico com as boas recordações e os bons momentos por nós vividos éramos as duas umas boas malucas, e juntas tivemos aventuras bem fixes e na alegria e na tristeza partilhámos muitas conversas, muitos choros, mas também risos despropositados, recusámos telefonemas, porque quem telefonava não nos interessava no momento, dançamos, cantamos ao som da velha telefonia e depois foste embora com um suspiro sentido por mim a quilómetros de distância, e ainda hoje quando por lá passo recordo aquele momento em que eu soube com muita certeza que já não estavas, que  já não podias partilhar mais nada. Mas a vida é assim mesmo e há que enfrentar o ontem para sermos mais fortes no amanhã. 

 

 

 

 

Abril 03, 2019

m.

Nesta fase da vida em que começam a desaparecer aqueles que tu sempre conhecestes e admiraste, estes dias cinzentos e tristes, carregados de tristeza, mas também de lembranças das boas, em que todos juntos recordamos, homens, e mulheres que foram exemplos para toda a família, e que vão ficando velhotes e o seu tempo connosco está a terminar ou já terminou.

Ficam as memorias, dos tempos que passamos juntos.

 

Junho 13, 2018

m.

Há dias que o acto de ir beber um café nos provoca lágrimas, hoje foram de saudade, por quem já perdemos e as formas que arranjamos de mitigar a dor, porque acabar com ela, só mesmo quando morrermos ou perdermos  o conhecimento.

Não sendo psicóloga nem tendo ajudas de especialistas, refugio-me na música, sim eu fui a um concerto duas semanas depois da minha mãe ter falecido, senti-me mal, não, senti-me acompanhada e desfrutei das músicas e de toda a envolvência, não acho que desrespeitei  a sua memória, pelo contrário, festeira e "bonequeira" como ela era, também ela tinha gostado.

Outra forma, de aliviar a dor e a saudade, foi escrever, nós falávamos todos os dias, durante muitos minutos, e quando te falta essa rotina, fica um vazio, pegas no telefone e ninguém te vai responder do outro lado, mas podes escrever, assim tens sempre a esperança que a pessoa leia, um género de diário ou melhor em forma de cartas a tua mãe. Ajudou-me imenso e foi isso que disse a outra pessoa, é para mim uma forma de manter as nossas conversas vivas e actuais, ninguém além de nós as duas sabia isso, agora mais alguém sabe e pode ajudar outros a superar o insuperável.

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