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a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos, experiências, viagens e coisas minhas.

a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos, experiências, viagens e coisas minhas.

02
Ago20

Agosto agri-doce

m.

Para mim o dia 1 de Agosto,  é um dia, com um misto de emoções contraditórias. Há  anos atrás perdi o meu avô materno neste dia. Mas também foi o dia que recebemos a notícia que a família tinha aumentado. 

Por isso sempre que lhe dou os parabéns, e às vezes a comer aquela fatia de bolo,  dou por mim a pensar com muito carinho e saudade  no meu avô, que foi só o melhor avô que eu tive. Lembro-me das idas à casa dele, noutra aldeia, íamos de autocarro e ele dava-nos sempre um lanche daqueles que terminavam com um gelado à espera do autocarro ou camineta da carreira, como se dizia naquele tempo, embora eu adorasse o gelado epá, tinha de comer sempre o perna de pau, ou o super maxi, que lá em casa não se mastigavam pastilhas (passo a publicidade a esta marca de gelados). 

As visitas dele, sem a respectiva esposa (naquela altura eu não percebia porque é que a senhora não ia lá a casa, hoje já percebo), eram sempre aguardadas com uma alta expectativa (aqueles rebuçados ou chupas ou as bengalas), era sempre uma animação quando ele aparecia, no quintal, a chamar pela minha mãe e depois a fazer-me aqueles carinhos que só os avós sabem....e ele era tão querido naquele chapéuzinho e com a sua bengala e o seu bigode, era a única pessoa da família que o usava, agora um ou outro tio, também, mas na minha infância o dele era único.

Quando adoeceu, foi uma verdadeira tragédia, que demorou, na altura só me deixaram vê-lo enquanto esteve consciente, depois a demência tomou conta dele, e eu fugia com o meu irmão para o vermos ao longe e sem a minha mãe ver, e curiosamente ele sempre nos reconheceu e sempre tinha uma palavra para connosco. 

Quando morreu, a 1 de Agosto, e recebemos o telefonema, ele estava no hospital e apesar de ter e ser uma criança, lembro-me dos choros dos filhos e irmãos , e de nós os netos andarmos a passear pelo cemitério e a ver as campas, e as flores, fazia um calor horrível, e do funeral só me lembro disso, do bem que nós as crianças passamos quando os adultos estavam a fazer a sua despedida. 

22
Jul20

Estes tempos nossos... o reencontro dos vizinhos

m.

Em resumo, saímos do estado de emergência, e entramos no estado de desconfinamento, ou confusão, ou há tanto tempo que não vos via.

Um dia destes à entrada encontrei a vizinha do 4º andar, e o nosso reencontro, com o distanciamento social devido e tal,  foi como se tivesse visto a minha pessoa favorita do mundo, que sensação tão boa e feliz, encontramos pessoas que já não víamos há meses....Quanto ao vizinho do lado, bom, não o vejo, mas sinto, mais do que vejo as sapatilhas, de andar por fora, que ficam em quarentena, até que alguém lhes limpe as solas....por acaso uma manhã destas encontrei-o à saída do elevador, com as mesmas calçadas...estava com receio do que teria acontecido às sapatilhas. 

Por outro lado, acho que estamos todos um bocadinho, esquecidos, stressados e "apanhados do clima", não sabemos muito bem como reagir e interagir com as pessoas. Passamos por alguém e afastamo-nos, não nos olhamos directamente, desviamos o olhar, fugimos de passeio se vemos ajuntamentos. 

 

14
Abr20

Limpemos

m.

E em mês de Primavera, isolamento/quarentena voluntária, nada melhor para ocupar e passar o tempo, do que fazer as "limpezas de primavera", há pois é, nestes cinco dias de férias/tolerância/Páscoa passadas em casa, nada melhor do que entrar profundamente dentro dos armários, gavetas, e limpar deitar fora aquilo que achamos que nos faz falta...e descobrir tesouros há muito esquecidos. 

O cansaço é um cansaço produtivo e sabe tão bem. 

 

21
Jan20

Frio.....mas, quê, estamos em Janeiro.

m.

Olhem pessoas, eu sei que está frio, as temperaturas estão super baixas (não estiveram já mais baixas), mas vamos lá pensar com calma...

Janeiro, o Inverno começou a 21 de Dezembro, ou por esses dias.

Logo é  o primeiro mês com Inverno a sério, portanto, o FRIO, tem de fazer parte obrigatoriamente deste mês, assim como as geadas, a neve, a chuva, o frio, qual é na verdade o espanto, de começarmos as notícias a dizer que está frio, como se fosse uma realidade do outro mundo.

Atinem!

15
Jan20

Ser ignorante....só que não !!!!

m.

Olha  a boba, pateta!

Há dias, em que me calo, faço-me de boba, mas há outros que a mostarda me chega ao nariz e explodi, qual bomba, que deixa todos em choque.

É  para que saibam, eu tenho sentimentos e sinto as vossas conversas de cochicho, mais do que as ouço.. 

Ser ignorante!

Como gostava de neste exacto momento, não saber, não sentir, não pressentir, porque sei  que lhe vai cair o mundo em cima, e não tenho coragem, para lhe contar a verdade, esta verdade, doi a todas nós mulheres e homens, o cancro, chega de mansinho como quem se aproxima de nós e dá-nos um daqueles sustos e medos, que nos custa a reaccionar e toda a ajuda é pouca. 

10
Jan20

Nós e as máquinas

m.

Numa ida ao multibanco, para fazer aquelas coisa que nós fazemos, levantar dinheiro, pagar, transferir, receber, ah não isso não, mas estava eu na fila e o moço à minha frente, estava concentrado a fazer o que tinha a fazer, quando de repente começa a falar, com o multibanco, e a falar, eu até pensei que ele estava ao telemóvel, mas não ele estava efectivamente a falar com a caixa ATM....assim como assim, de estranho tem pouco, quem não fala com objectos que levante a mão.

06
Jan20

Em viagem

m.

Por essas estradas pagas de Portugal, o que menos esperas é encontrar buracos, mas infelizmente, nem nas estradas pagas, nos livramos dos buracos...este país está roto.

15
Dez19

A idade

m.

Começas a perceber, que estás a madurar, quando vais ao médico e ele te diz:

" Ainda não está na idade para o rastreio do cancro do cólon, mas já agora vamos fazer."

Certo doutor, você é de uma astúcia, genial, e fazer 2/1, é melhor, que 2 por separado. Obrigado. 

26
Jul19

Desânimo geral, quer-me parecer

m.

Não sei se sou eu, ou, é geral, mas parece-me que as pessoas, estão tristes e desanimadas, mesmo aquelas que acabaram de vir lá dos locais onde ficam cor de madeira escura, as ditas férias, onde é suposto recuperar energias, bom humor, felicidade, só que não, anda tudo com umas caretas de tristeza, que metem dó....coitadas.

Já não falando na situação do país, que isso sim é de ir ás lágrimas, e pedir socorro, tirem-me deste filme de terror.

E as bocas, de quem nos gere o destino, é de ficar com os pelos em pé, que horror "minha gente", tento na língua, já dizia a  minha avó.

Ou do desporto, andaram a pancada, num determinado balneário, ou foi só cartoon???

Piores estão os nossos vizinhos aqui do lado, que nunca mais têm governo, mas são felizes. E governam-se a eles próprios. Ao contrário de cá que só se governam meia dúzia....enfim, não desanimenos, que amanhã é sábado e depois domingo, e são dois dias sem ver notíciários, que só me deprimem.

26
Jul19

Dia dos avós, dos meus só restam as memórias e a saudade

m.

Oh foi tão bom, conhecer avós, só que também foi triste, porque eram cinco e só conheci infelizmente três (um era meu tio-avô, mas nunca fizemos essa distinção, era avô e mais nada). Mas esses três eram bem castiços, principalmente o meu avô C., era um velhote adorável de chapéu, e bengalinha, e nunca deixava esta netinha sem carinho, e rebuçados, sim a despesa com o dentista começou logo ali, na infância, eram tardes bem passadas ele a conversar com  a minha mãe e eu a brincar na terra batida, com as bonecas, os trapitos, e mais coisas que agora não me lembro, porque a idade chega a todos, só me deixaram brincar, não cuidar do meu irmão quando o meu avô adoeceu, e precisou de cuidados especiais, e ai as brincadeiras foram mudar fraldas, dar carinhos ao mamo mais novo, o avô estava cada dia pior, e depois morreu. Mas ele morreu e lembro-me de ir ao enterro com os meus primos, e de andarmos a passear no cemitério, enquanto os nossos pais, choravam a morte do avô, éramos tão inconscientes, e o melhor foi que os pais nem ralharam. Quando chegamos a casa, as notícias eram boas, havia um novo elemento na família. Não esquecemos o avô, mas cada vez que damos os parabéns à A., pensamos hoje faz anos que morreu o avô.

Já da minha avó V. , a conversa é bem diferente, éramos maiores, mais férias em conjunto, mais memórias daquelas praias onde tínhamos  liberdade, mas também mais responsabilidade, porque ela era justa e castigava e premiava com regra e sabedoria. Também nos enchia de risos quando se comportava quasecomo nós, alinhava e gostava das brincadeiras, mas depois crescemos e ela ficou sem paciência para adolescentes com feitios mais do que mpossíveis, eram maus e mesmo uns putos traquinas. Quando morreu, foi triste, nem estava á espera, mas é como dizem, a vida, estava velhinha e cansada. E no velório, fomos buscar todas as recordações de infância e fizemos a justa homenagem.

Do meu avô I., tenho recordações alegres, era um senhor simpático, afável e nunca se zangava, era uma paz de senhor, pequenino, de boné, era e estava sempre alegre para nós. E foi a primeira pessoa morta que vi, telefnaram para a escola (naquela altura viviamos a quilómetros luz dos telemóveis), e lá viemos nós no autocarro muito mais cedo, aulas a que faltamos, justificadas e quando cheguei a casa da minha avó, entrei no quarto e estava a minha mãe a vestir o casaco ao meu avô, não me assustei, mas ainda tenho aquela imagem felizmente que a minha avó depois mudou a distribuição do quarto. 

Dos outros avós só sei o que me contaram, sensações, e  sonhos com as pessoas das  fotos, porque deles não tenho memórias. E sinto essa falta, mas morreram antes de eu ser sequer projecto de gente, etambém deixaram os filhos tristes e sós. 

 

 

 

30
Abr19

Estas semanas...

m.

Sem dúvida que a vida pode mudar em centésimas de segundo, e um bater de asas de uma borboleta causar um terramoto.

Há que seguir em frente e quando olhamos para o lado há sempre pessoas que estão piores (das melhores nem me lembro), e isso também ajuda, a infelicidade alheia, o pensar que não tenho o direito de baixar os braços, porque aquela pessoa ali ao lado está muito pior do que eu, e está a reagir, a lutar, a viver muitas vezes sobrevivendo.

O que me anima, na verdade é a familia, aqueles momentos mágicos e de convivio, os amigos, a literatura e a música, quando estou desanimada, só consigo ouvir música cantada por "dead people", e depois alento e contente que a vida é para ser vivida e momentos maus ou menos bons também fazem parte desta.

 

04
Abr19

Abril bem vindo

m.

Sei que já venho uns dias atrasada (4), mas não tem sido fácil, e hoje sinto-me contente, não feliz, contente, por ver esta chuva, este mês que é para mim tão especial, a criança vai "casar " os anos, 8 no dia 8, a F. é uma querida amiguinha, muito tagarela e muito fofinha.

Abril também é para mim um mês de renovações e aquele mês em que há mudanças. Começam as primeiras culturas (odeio favas, mas já se comem cá por casa), as batatas estão viçosas, começam a despontar as primeiras vagens de ervilhas, as flores das árvores provocam-nos encantamentos e deslumbramentos.

Um mês de esperança.

Abril águas mil, mas com peso conta e medida para não estragar, só aliviar e ajudar os que precisam tanto dela, ou seja TODOS.

 

21
Mar19

Um banco de jardim

m.

20190310_110646.jpg

 

Um banco de jardim, ali colocado só para nós olharmos e contar as pedras do muro, as folhas dos ramos,  pensar, meditar,  aproveitar para colocar a conversa em dia.

Muito havia para dizer deste banco, só que não, está ali sempre só, isolado dos seus outros "irmãos bancos" e a paisagem não ajuda, passam por ti e ignoram-te, desprezam-te, quase como o que se passa com os seres humanos.

Acho que no fundo este banco é tão parecido com a maioria de nós isolado, sozinho, alheado de tudo e de todos.

Um banco também pode ser uma ilha.

27
Fev19

Dieta versus diet

m.

Pois é calor, roupas mais leves e mais exercício físico. Tudo para poder estar okay no bikini....ou só que não, é mesmo para me sentir com saúde e prevenir as malditas doenças.....

Apesar de continuar a caminhar mudei a minha alimentação em qualidade e quantidade. 

E sim estou naquela fase de dias, ou refeições sem carne e ou peixe. E as gulodices também passaram a ser quase inexistentes, só que há dias que apetece aquele bolo apetitoso cheio de creme da pastelaria, o que fazes, cedes à vontade ou ficas consumida de vontade e não paras de pensar naquele bolo super delicioso....pois foi isso mesmo que fiz, cedi ao impulso e comi aquele eclair, com os fios de ovos e para cúmulo comprei uma cola diet, só para contrabalançar. Mas como tudo quando estamos perante o objecto desejado ele já não me soube como eu pensava que me saberia, e o que me consolou mais do que o bolo (e não o comi inteiro) foi a diet, essa sim fresquinha e saborosa e como era de diet não fez mal nem alterou a estrutura da dieta...Desde ai evito passar naquela rua, com a pastelaria com aquele eclair....

 

13
Fev19

Violência de que género for- Coisas que não suporto

m.

 

É assustador a violência seja de que tipo for, mas a que em ocorrido neste nosso pequeno País em apenas um mês, deixa-me horrorizada,  9 MULHERES assassinadas, é um número impressionante, e são necessárias medidas urgentes, os senhores governantes tem de começar a pensar a sério em prioridades, porque este tema é uma ou deveria ser uma delas há já vários anos. 

Eu denuncio. 

 

 

13
Fev19

Adoro Rádio

m.

Neste Dia Mundial da Rádio, uma homenagem a quem nos acompanha nas grandes viagens, nas lides da casa, nos momentos de introspecção interrompidos por aquela música, ou a notícia que ninguém deseja ouvir, nos bons e nos maus momentos. É aquela amiga com que nós podemos sempre contar.

Cá em casa todos somos ouvintes, mais do que assíduos da nossa rádio fm, até aos animais domésticos os acompanha nas horas em que temos de sair de casa e eles ficam em muito boa companhia o nosso rádio bem velhinho, com uma antena de improviso, mas que não há onda que a derrube.

Mais do que um lazer, é uma companhia amiga que nos acompanha vinte e quatro horas por dia, faça chuva, faça sol eles lá estão os locutores da rádio.

Agora isso já não acontece com as novas redes sociais, já conhecemos a cara por de trás daquela voz, mas quando era pequena adorava imaginá-los e ficava sempre curiosa quando sabia que iam à tv.

Comecei com a RR, o programa do Luís Arriaga adorava o senhor locutor, e era a minha companhia a fazer os tpc´s; tinha altas discussões com a minha vizinha (sim mesmo em criança era um bocado intratável e revoltada) porque ela só ouvia o programa do António Sala e da "amiga Olga" e desligava o rádio quando o programa terminava e depois começava o que eu gostava, mas o rádio era dela a casa era dela, e na maioria das vezes ela cedia, mas nem sempre (a culpa eram dos tpc´s), depois cresci  e mudei, para uma onda mais comercial, mais roqueira ou mais calminha, consoante o estado de espírito,  não posso dizer que sou fiel a apenas uma rádio, porque ando sempre a mudar de frequência, dependendo dos programas. Mas sou uma ouvinte das 7 às 24, porque mesmo em casa e com tv, privilégio a rádio. 

A todos eles, os locutores, os que não nomeei porque são muitos,  vocês para mim são família, o meu obrigado e contem sempre com esta ouvinte.

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