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a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos e experiências.

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13
Fev17

Eu e os livros

m.

Como "enta " que sou a minha infância foi passada a ler, histórias de princesas, príncipes, aventuras, livros de bd, , e outros de capa dura, capa mole, recortados, os pequeninos, os grandes que não davam jeito nenhum, mas que foram todos lidos e relidos, com muito prazer.




Depois vêm a adolescência e com ela outros livros,  folhetos telenovelísticos de revistas mais antigas que eu, mas que estavam religiosamente á minha espera, teleculinárias com o chefe Silva na capa, e a descoberta dos romances de "cordel" como eu lhe chamo, Júlia, Sabrina, Bianca....esses muitos deles oferecidos, outros comprados com a mesada, muitos lidos apenas uma vez, e trocados, outros  guardados e relidos muitas vezes, porque a crise atinge todas as idades. Descobri Mr. Poirot, e Miss Marple, graças também á tv, mas ler é tão diferente de ver, que quando podia esgueirava-me para a biblioteca e trazia-os comigo.




Quando fui para a faculdade descobri, os livros com temas profundos, que nos fazem pensar e confesso muitos deles eram mesmo secantes, nessa altura, andava com os meus romances de cordel atrás, e entre maçudos lia um daqueles pelo meio. Sempre gostei de policiais e numa feira do livro descobri Stephen King, Agatha Christie, Rex Stoux, entre tantos outros. E li pela primeira vez livros verdadeiramente assustadores, falo da Zona Morta e da Incendiária, do Stephen King, que me abriram horizontes, e desde ai o policial/thriller passou a ser o meu género favorito. As minhas lojas favoritas passaram a ser os alfarrabistas, e a feira do livro




Felizmente na altura em que começas a trabalhar, consegues poupar bons tostões, que te permitem comprar não apenas nos alfarrabistas, mas também nas verdadeiras livrarias, e ai além da desgraça da carteira, descobres um admirável mundo novo, e já nada vai ser igual.




Graças ao trabalho e a ter colegas como eu "maluquinhos dos livros", descobri muitos autores novos, alguns dos quais se tornaram os meus favoritos. Muitos empréstimos, muitas aquisições, e muita conversa á volta dos livros.




Uma das histórias da minha vida foi ter percorrido a capital, de lés a lés, á procura de três livros do Jean Larteguy, que eram raridades, e felizmente encontrei-os num quiosque no Cais do Sodré, onde parava muitas vezes, e em conversa com o senhor paraquedista, ele arranjou-mos, por um preço simbólico, visto estes serem para outro paraquedista. Claro que o meu interesse foi despertado, e tive de os ler, apesar de serem livros de guerra, falarem da mesma, foram leituras muito agradáveis e passei bons momentos com estes  livros.




Depois com um poder económico maior, ou a pensar isso, conheci clubes de leitura, pessoas deveras interessantes, blogs, sites de livros, e as compras online, facilitam a aquisição á distância de um clique, e por vezes nesse clique embarcamos em aventuras, que depois resultam numa quase biblioteca, e na aquisição de mais livros do que aqueles que realmente se leem. Na livraria da zona, já me fazem um desconto generoso, e a simpatia vale sempre muitos marcadores. Noutra loja perguntam-me o que vai ser hoje, e ás vezes já me atrevo a dar uma ou outra sugestão de leitura e de organização da loja.