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a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos e experiências.

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31
Jan18

Charlotte Brontë

m.

Charlotte Brontë; Jane Eyre

 

 O que posso dizer deste livro, só coisas boas, muito boas, porque é um livro daqueles que marcam e ficam impregnados em nós. Tinha visto o filme há alguns meses atrás, e pensei tenho ali o livro, agora já sei a história vou ler outras coisas, mas pelo desafio do Clube dos Clássicos Vivos, https://www.goodreads.com/topic/show/19130819-jane-eyre-charlotte-bronte , inscrevi-me e comecei a ler este livro, não demorei nadinha a ler, devorei este livro em menos de duas semanas intercalado com outras leituras.

 

Que poder de escrita têm estas irmãs, vou querer ler todos os livros escritos por esta família, já li O Professor e Jane Eyre (Charlotte Bronte), e o Monte dos Vendavais (Emily Bronte), faltam-me todos os outros.

 

Jane é uma criança de dez anos, que vive com a família do tio falecido, é tratada pior que uma criada até pelas próprias, só uma é mais doce e carinhosa com ela, mas só quando os outros não estão a ver, sofre horrores nas mãos da tia, principalmente do primo odioso que aproveita sempre para a maltratar, caluniar e aterrorizar, Jane é uma menina forte, justa e faz tudo para apurar a verdade.  

 

 " Com o livro de Bewick ao colo eu era feliz, ou pelo menos, era feliz á minha maneira. Não havia nada a temer para além de uma possível interrupção, que aconteceu cedo demais."

 

" - Amo?Meu Amo? Eu não sou criada!

_ Não; é menos do que criada, porque não compensa o que lhe dão com o seu trabalho. Agora sente-se ai e pense bem na sua maldade."

Abigail (criada ) para Jane depois de ter sido agredida e insultada pelo primo

 

" É uma sonsa, nunca vi garota da sua idade saber dissimular tanto."

Abigail para Bessie, sobre Jane

 

"-Adoeceu por ter chorado tanto no quarto vermelho. Mas vai melhorar depressa. "

Bessie para Jane depois desta ter sido castigada no quarto escuro onde faleceu o tio

 

A sua "sorte" muda quando é enviada para um orfanato ai encontra a verdadeira amizade e companheirismo, e prova que não é mentirosa, intrujona e outras calúnias que a tia tinha contado ao reverendo.

 

"Por mim, não conservo a recordação das maldades que me fazem! Não serias mais feliz se conseguisses esquecer a severidade com que foste tratada e os agitados sentimentos que esta te despertou?"

Helen para Jane

 

Depois de alguns anos como aluna e professora decide tentar a sua sorte como preceptora e publica um anúncio no jornal, a resposta surpreendente e rapidamente levam-na a abandonar o conforto de uma vida., e vai para  Thornfield Hall, mas claro que nesta viagem atribulada tem um encontro com um cavaleiro misterioso, e embora eles não saibam são Jane e Mr. Rochester, claro que o reencontro é muito engraçado e eles ficam um pouco embaraçados, com o tempo a convivência entre os dois torna-se mais do que patrão/empregada,  convivência entre os dois é linda e apaixonante, e aos poucos vemos o amor despertar entre eles mas  um terrível segredo ensombra a vida de Mr. Rochester e as ameaças á vida dos ocupantes de Thornfield Hall começam a surgir.Os diálogos entre os dois personagens são construitivos e muito entretidos, verdadeiras lições de vida. 

 

"A sua beleza está nos olhos de quem o vê. Uns olhos apaixonados considerá-lo-iam belo ou, para melhor dizer, não haveria beleza que suplantasse a sua fealdade."

Jane sobre Mr. Rochester

 

Mr. Rochester é um homem mais velho que Jane vivido e viajado, conquista-a de forma rápida e implacável, mas comete um erro grave, a mentira e a humilhação de Jane, um casamento a uma jovem enamorada , que sabe na própria cerimónia que o seu futuro marido é já um homem casado e a esposa (louca e maquiavélica) está viva e a viver na mesma casa que eles.

Nem imagino a humilhação de Jane,o que sabemos que sentiu são pelas suas próprias palavras, ferida, triste e desiludida, Jane volta a estar só, infeliz, desamparada e pobre. Deambula por paragens desconhecidas e é recolhida em casa de uns irmãos, que caridosamente a ajudam, mas Jane ainda não conseguiu esquecer, o seu amor, e numa "alucinação" ou sextos sentido, premonição, ouve alguém chamá-la com muita dor e desespero, ela nem hesita e sabe que quem pede ajuda é o seu amor, quando volta vê tudo em cinzas e descobre um homem desamparado e derrotado, mas o amor é forte e Jane promete ser a vida de Mr. Rochester.

 

"Enquanto eu viver, não ficará abandonado, meu senhor muito querido."

Jane para Mr. Rochester

 

"- Estou muito feio, não é verdade?

- Feio sempre foi, não o ignora.

- Vejo que continua a ser mazinha."

Mr. Rochester e Jane

 

" - Cá está a minha cotovia! Não se foi embora? Uma das suas irmãs esteve a cantar, há pouco, no arvoredo, mas o seu canto não teve para mim a doçura da sua voz. Toda a melodia da terra se concentrou na voz da minha Jane, todo o calor do sol na sua presença."

Mr. Rochester a declarar-se a Jane.

 

Jane uma mulher forte, determinada, lutadora, vencedora, justa e justiceira, personagem a frente do seu tempo, numa época em que as mulher pouco influíam na sociedade, esta Jane impôs a sua presença de forma majestosa e carinhosa, uma personagem da qual fiquei "Amiga". 

 

Um livro memorável, narrado na primeira pessoa, que me deixa saudades.

Um Hino ao Amor.