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a herança do vazio

Blogue de pensamentos, acontecimentos e experiências.

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04
Abr18

Arturo Pérez Reverte - O Clube Dumas

m.

Um autor do qual ouvi criticas fantásticas e aqui há uns anos (2014) aproveitando uma fantástica promoção de livros a menos de cinco euros (quero mais destas promoções para encontrar maravilhas a preços de pechincha), comprei o livro O Clube Dumas, na realidade gosto de casos policiais, de ler e ver na tv séries ou filmes, mas neste livro o assassino é um outro livro!!!

Deste autor sei e já vi alguns episódios do Capitão Alatriste (Aitor Luna), passado em épocas de Reis e Cortes, Intrigas,  Inquisições, e muitas injustiças, e a série é boa dentro do género, e afinal não sou assim tão desconhecedora da obra deste autor.

Sobre o livro:

Lucas Corso é um caçador de livros, e a história é narrada por Boris Balkan, que nos dá a conhecer este enigmático e peculiar caçador ou detective, creio que ambos os nomes se enquadram bem na personagem, na sua demanda pela autenticação de um manuscrito "As Nove Portas", só que este livro é mais do que um livro, e Varo  quer ter na sua posse os três exemplares conhecidos, e ter o livro certo, porque o dele é um exemplar falso, a particularidade e a importância deste livro é, que foi escrito pelo próprio demo, e quem o possuir tem poderes maléficos (medo).

Logo nas primeiras páginas, dou por mim triste ao  desmascaram-me um dos ícones   da minha infância a série de desenhos animados Os Três Mosqueteiros, afinal eles não eram bem assim e Rechilier não era o vilão como na série, só por isto vou ter de ler mesmo o livro para tirar as minhas próprias conclusões. A história começa com uma morte, e Corso na posse de um manuscrito "O vinho de Anjou" o qual ele tem de provar a sua autenticidade como pertencente a Dumas. Aqui começamos a perceber alguns enredos, este manuscrito foi adquirido por La Ponte (outro personagem castiço, que me fez revirar os olhos e rir, quase ao mesmo tempo), ao bibliófilo Enrique Tallefer, antes de este, aparecer morto (suicídio, diz a policia), só nesta morte já  a minha veia detective (não temos todos uma?), começa a desconfiar....

Ao longo da história Corso é perseguido por um personagem da história dos Mosqueteiros, e tem como aliada nada mais nada menos que ...

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 ....Irene Adler, ela mesma, em pessoa, a mulher que todas associamos a um mundialmente famoso detective, Sherlock Holmes. E tal como estas duas personagens Corso e Irene passam por aventuras, e entre eles surge uma grande cumplicidade,  e esta personagem será realmente o seu anjo da guarda, ou persegue-o por outros motivos?

Com a morte e o desaparecimento do terceiro livro (menos mal que conseguiu tirar as suas notas antes), Corso percebe que os seus ataques estão de certa forma relacionados com a sua aventura, e relendo novamente os Três Mosqueteiros, Irene  Corso e La Ponte dirigem-se para onde decorrerá a acção final dos livros, deste e do de Dumas, Meung no sul de França. A conclusão da investigação, três cópias cada uma delas com diferenças apenas quando se tem na sua posse todos os exemplares ou as diferenças. E só quem possuir consegue que a invocação funcione.

Confesso que esta última parte foi confusa, parecia Richelieu, mas afinal era Boris Balkan e os membros de um clube secreto, o Clube Dumas, que estão relacionados com manuscritos e com a obra deste autor (Dumas), mas que não tem nada a ver com a busca e o livro "A Nona Porta".

Voltando a Toledo, essa linda cidade, Corso encontra Varo em pleno transe, e percebe finalmente a mente por detrás de todos os ataques e crimes (crédulo, eu percebi logo no primeiro encontro deles).

E como nos filmes, tudo acaba bem, o vilão (Varo, morto de forma macabra), e Corso e Irene juntos

 

Um livro empolgante pela história e por todo um conjunto de personagens, situações improváveis (será???), que me levaram a uma verdadeira viagem pelo mundo dos livros, com situações verdadeiramente preocupantes (livros/fogueiras, é mau), e outras hilariantes. Personagens peculiares e marcantes.

 

Um autor do qual tinha ouvido falar, mas com o qual ainda não tinha estabelecido um conhecimento. Gostei pela surpresa, pelo argumento e pela perspicácia de nos conseguir manter agarrados á leitura.