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a herança do vazio

a herança do vazio

11
Mai17

Alentejo

m.

Passeio no coração do Alentejo

E quem me manda a mim, ir ao Alentejo num dia de calor com temperaturas de 32º, pois calor é lá, os 32 pareceram-me mesmo 40º, um sufoco. Bem e fazendo a casa pelo telhado, começo a passeata.
 
Esta viagem estava falada á meses, senão mesmo anos, mas os afazeres da vida, os Km´s, o calor, o adiar sucessivas vezes, até que finalmente nos resolvemos, e decidimos, terça feira é para ir conhecer o Alentejo, as cidades de Évora; A Barragem do Alqueva, Reguengos, Monsaraz, e Estremoz (esta cidade não estava no plano, mas como ficava em caminho, e tinha lá um irmão que nem sabia, fomos visitá-lo, e levar-lhe uma e*, que a tinha deixado cá em casa, o esquecido), safou-se ele de fazer 200 Km, e nós ficamos com mais uma cidade no curriculum.
 
O dia ainda nem amanhecia já estava a abrir a pestana, pelas indicações do g*m*, o melhor era ir directo a Évora e, assim fizemos, que se saiba que nem 2 horas demorei de viagem, sou um pé pesado, com uma breve paragem na área de serviço do montijo, que a rapariga também precisa descansar e de café. Chegado a Évora ainda mal raiavam os primeiros raios de sol, vejo uma instituição concelhia, e entro por ali dentro, a pedir indicações para  a próxima paragem, e como lá chegar, o Sr.º foi 5* super simpático, deu-nos as indicações por um mapa da cidade, o caminho a seguir, e foi até á procura de um mapa do como as que eu tinha visto no pc.  Agradecemos e saímos em busca da cidade de Évora, a primeira paragem e para começar o dia, foi a Igreja de S. Francisco, que contêm no seu interior a Capela dos Ossos, a Igreja andava em remodelações, pelo pouco que pudemos ver era linda, a merecer uma visita mais demorada e detalhada, quando terminadas as obras de remodelação. Para ver a Capela dos Ossos tivemos de atravessar um estaleiro, e o primeiro que vi foram....livros do século XVI, apeteceu-me tanto trazê-los comigo, assim uma recordação antiga e preciosa, mas claro que estou a brincar, a Capela era arrepiante, até para mim que não me arrepio frequentemente, o primeiro impacto foi um arrepio gelado e uma sensação de incredulidade perante o trabalho arrepiante que os monges franciscanos tiveram, desenterrar os mortos dos cemitérios para fazer uma capela, parece-me mesmo uma profanação, por isso, apesar do respeito, os mortos são para estarem resguardados, e serem homenageados, não expostos daquela maneira, demoramos pouco, mas quisemos sair dali o mais rápido possível.
Continuando a nossa caminhada por ruas brancas e limpas, chegamos ao Largo do Giraldo, local central e conhecido, apreciando as vistas, seguimos as indicações até ao Templo de Diana, que lindo, e as vistas do miradouro mais á frente, preciosas. Após as obrigatórias fotos, descemos, e passamos pela Sé de Évora, e de novo rumo ao transporte, andávamos um bocado condicionados de tempo, tínhamos muito para ver e tinamos de estar com o "esquecido" ás 17:00, noutro local não distante dali, mas queríamos ir mais além.
 
Curiosamente quando estávamos no carro, a fazer o nosso lanchinho matinal, para um carro e pergunta-me como ir para Reguengos?, como se eu fosse uma expert, em geografia, mas como também eu já antes tinha perguntado a mesma direcção, indiquei-lhes e lá seguiram eles viagem.
 
A nossa foi retomada minutos depois, e seguindo as indicações e intuições, lá fomos nós em direcção á Barragem do Alqueva, que era o objectivo principal da viagem, paisagens tipicamente alentejanas, muitos "chaparros", alguns montes bem cuidados, outros abandonados, cabeças de gado, dispersas, pastagens, e rectas a perder de vista (Percebi, o ditote do é já ali, 20 Km, parecem 100), chegados a Portel,  a qual avistamos ao longe, um castelo, bem cuidado, e um convento fora da vila, e eis as indicações para a tão falada barragem. Lá fomos nós em direcção á mesma, com paisagens variantes, e entre a típica paisagem, alguns vinhedos, mas na aproximação á barragem, a paisagem vai mudando, e aqui avistam-se rochedos e muita vegetação seca, chegados á barragem após a aldeia de Alqueva, que lhe dá o nome, desilusão, é só a barragem, no primeiro local para avistamento da mesma, uns barracões abandonados, e que tristeza, as vistas do rio Guadiana com o sol a incidir na água, são fabulosas, mas o espaço envolvente da barragem é uma desilusão completa, há apenas um café de um lado (nem entramos) e do outro o cais para os barcos que fazem as viagens turísticas na barragem.
 
Depois da barragem, e da sua desilusão rumamos em direcção a Reguengos de Monsaraz, ou só Reguengos, e Monsaraz, são afinal duas vilas diferentes, e distam 40 e picos km, mas digo-vos estes 40 souberam-me a 400, é que o caminho não tem altos e baixos, é só seguir em frente, por vezes nem era preciso acelerar, deixar o carro seguir, o percurso que como era sempre recto não fugia. Bom entre paisagens diferentes, sempre deu para apreciar as diversas e belas paisagens, que mudam consoante a topografia do terreno, e  a sua aptidão para os diferentes cultivos, no Reguengo apreciamos as paisagens vitivinícolas a perder de vista, muitas delas já vindimadas, e outras em pleno acto laboral. Chegados a Reguengos vemos que Monsaraz era um pouco mais além, mas eram horas de matar a larica, a nossa e a da viatura, e isso foi feito, de forma económica e rápida, e depois de mais uma pergunta sobre caminhos, rumamos em direcção a Monsaraz, que não ficava nada distante, mas estava muito calor, e valia  a paisagem e a camaradagem.
 
Mal se chega a meio do caminho, e começa-se a avistar Monsaraz lá no alto, depois voltamos a perde-lo, e consto que temos de contornar toda uma distancia para chegar lá ao alto, mas depois de contornada a encosta, a vista é de perder o fôlego de tão espetacular, toda uma extensão de água, montes, vales, casarios brancos, tradicionais, castelos igrejas, e um caminho de xisto, que apela a simples contemplação.

Depois desta beleza ficamos cansados, tanto pelo calor, como pelo tempo de viagem, e resolvemos ir até Estremoz, que ficava perto, mas e repetindo-me.....longas retas e chaparros, passamos novamente por Reguengos, porque uma senhora simpática disse que era o mais directo e fácil, e seguimos na direcção de Alportel, o que não disse é que tínhamos de continuar sempre em frente passamos Vila Viçosa (só lá entramos e saímos, tempo), e Borba, só depois de passarmos ao lado desta última, se encontra a placa a dizer Estremoz (finalmente), e o que havia de tão importante, levávamos uma encomenda urgente para alguém que é esquecido e despistado por natureza, e calhou de estarmos perto, e lhe fazermos o jeito, este meu irmão é um sortudo.

De Estremoz, só posso dizer que avistei ao longe, deve ser bastante interessante, mas a esta altura da viagem vence a preguiça, e só quisemos estar á espera á sombra do jardim.

 Capela dos Ossos, Évora

 Templo de Diana, Évora

 Monsaraz